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Carnivàle

Personagens da 1ª temporada de CarnivàleDomingo passado, terminei de assistir as duas temporadas de Carnivàle, seriado fantástico torpemente cancelado pela HBO devido à queda na audiência, que não compensava o elevado custo de produção. Ambientada nos Estados Unidos da década de 1930, em plena Grande Depressão (época a que o autor da série se refere como a última grande era da magia), Carnivàle é uma batalha épica entre o Bem e o Mal.

Em 1934, o jovem de 18 anos chamado Ben Hawkins (Nick Stahl) vê sua mãe falecer, enquanto sua pequena propriedade rural, em Milfay, Oklahoma, é tomada por um banco, e acaba sendo acolhido por um circo. Enquanto isso, em Mintern, Califórnia, um pastor metodista, o Irmão Justin Crowe (Clancy Brown), esforça-se por estabelecer um local de culto para os imigrantes que chegavam de vários Estados, fugindo do dust bowl e da recessão econômica. Ambos passam a compartilhar sonhos e visões surreais que os colocam em busca do mesmo homem, Henry Scudder, e descobrem ser portadores de dons fantásticos. E há ainda a jovem cartomante Sofie (Clea DuVall), em busca de um lugar onde se sinta em casa…

A série tem toda uma complexa mitologia, infelizmente ainda não totalmente explicada, devido ao cancelamento prematuro. (Previstas inicialmente seis temporadas, apenas duas foram produzidas). A produção, como era de se esperar de uma série da HBO, é impecável. As atuações são das boas, a história é excelente, a estética é fascinante, e a trilha sonora composta por Jeff Beal é formidável, feita como se fosse para cinema. Saca só:

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Seja como a água

Trecho da “entrevista perdida” com Bruce Lee, em dezembro de 1971, no programa de TV de Pierre Berton:

Bruce Lee:
Esvazie sua mente. Livre-se das formas, não tenha formas – como a água. Agora, você põe a água num copo, e ela se torna o copo; você põe a água numa garrafa e ela se torna a garrafa; você a põe numa xícara e ela se torna a xícara. A água pode fluir ou pode golpear. Seja água, meu amigo… desse jeito, vê?
Pierre Berton:
Sim, eu vejo, entendo a idéia. Entendo o poder por trás disso…
Bruce Lee:
Eu consegui, não é? Então, o que estou dizendo na verdade, veja só, é uma combinação de ambos. Quer dizer, aqui está o instinto natural e aqui está o controle. Você deve combinar os dois em harmonia. Não… se você tem um ao extremo, você será muito acientífico. Se tiver o outro ao extremo, você se torna, de repente, um autômato… não mais um ser humano. Então é uma combinação bem-sucedida de ambos. Assim sendo, é bem lento e você o empurra para fora, mas ao mesmo tempo você mantém a continuidade seguindo, dobrando, esticando, tudo. Você simplesmente continua se movendo.
Pierre Berton:
Isso parece com um dançarino de balé…
Bruce Lee:
E é. Quer dizer, a idéia, para eles, é que “água corrente não cria ranço”. Então você tem que simplesmente “continuar fluindo”.

Dica do Thiago. Para ver a entrevista completa, no YouTube (em inglês): parte 1, parte 2 e parte 3. Transcrição completa da entrevista (também em inglês) aqui. Seja como a água, caro(a) visitante ;-)

Um dos series finales mais tristes da História

Tem um tempinho já que falei aqui da Família Dinossauro. Foi o primeiro post deste blog aqui neste endereço das Ilhas Cocos. Hoje, o Douglas me passou este vídeo, com o final do seriado. Acho que nunca foi ao ar aqui no Brasil. Olha só que coisa mais triste (e, ao mesmo tempo, tão cheia de mensagens para nós, humanos):

Querida, cheguei!

Acho que já deu para perceber que um dos meus temas preferidos para elucubrações são nostalgias e reminiscências em geral. Este post é sobre isso.

Hoje, chegando à faculdade, encontrei uma rodinha de amigos conversando sobre Família Dinossauro, que sem dúvida é um dos ícones da minha infância – e, com certeza, também da de muita gente por aí. Quem foi criança nos anos 90 certamente há de lembrar de bordões clássicos tipo “Querida, cheguei!”, “De novo! De novo!”, ou ainda o clássico “Não é a mamãe!”. Mas eu confesso que tinha medo da Família Dinossauro, quando era menor. Assistia todo dia e gostava, mas tinha medo. De qualquer jeito, era mágico.

E o Baby era insuperável! Olha só:

Sério mesmo: eu tive crise de riso (re)vendo isso. Tem outra cena memorável (e impagável!) em que o Dino tenta ensiná-lo a falar papai… só que ele não é a mamãe! Ou isso é mesmo muito hilário, ou sou eu que ando abobado e tendo crises de riso por qualquer motivo (o que não é assim tão mau, afinal).

Mas o primeiro episódio que sempre me vem em mente, quando falam em Família Dinossauro, é o da vida após a morte, em que a Vovó Zilda (ao menos aparentemente) morre e volta à vida várias vezes. Não lembro dos detalhes, mas lembro de ficar olhando meio abobalhado, meio assustado para a televisão, pouco antes do almoço, mas sem desgrudar os olhos da tela. Hoje tive a curiosidade de pesquisar a respeito, e, segundo o TV.com, é o episódio número 18 da segunda temporada, The Last Temptation of Ethyl, e ela realmente morria e ressuscitava. Sendo a Wikipédia, ela passava, na verdade, era por uma experiência de quase-morte. Acho que só mesmo assistindo de novo para poder saber.

Outro de que eu sempre lembro é o episódio em que cresce um chifre dourado no Baby, transformando-o em objeto de adoração. Hoje descobri que é o primeiro episódio da segunda temporada, The Golden Child. E eu ficava, novamente, meio abobado, meio assustado com aquilo, mas não desgrudava os olhos da tela. E achava o máximo. No final, o Dino ia tocar o chifre do Baby, que simplesmente caía, fazendo tudo voltar ao normal. E eu ficava me perguntando, mas como assim?, e ainda gostando.

Pergunto-me se hoje alguma emissora de tevê faria algum programa assim. Programação infantal politicamente incorreta, ácida, sarcástica – um tapa na cara do american way of life –, daquelas boas mesmo. Claro que ainda há boa programação infantil: eu sou fã assumido, por exemplo, de As Terríveis Aventuras de Billy & Mandy. Não conheço nenhum outro desenho atual em que sejam despejadas frases tipo “A felicidade é o caminho mais curto para a estupidez”. Mas ainda assim, não é a mesma coisa: os personagens não são dinossauros antropomorfizados. Não tem o mesmo charme da Família Dinossauro.

Parece que algum tempo atrás, esse seriado andou sendo exibido novamente na tevê aberta brasileira, mas, salvo engano, era num horário que eu não poderia assistir. (Para falar a verdade, difícil seria encontrar um horário em que eu poderia parar em frente à televisão e assistir qualquer coisa). Provavelmente já saiu do ar novamente. É o tipo de coisa que me faz falta na tevê, assim como os desenhos do Charlie Brown e Snoopy, afinal, hoje só se vê Big Brother. Quanto às crianças, então, nem sei o que elas assistem.

Tô velho, só pode.