Hoje já foram dois dias de curso preparatório. Anteontem, com medo de chegar atrasado (queria estar na LBV às 7h30 da manhã, para o curso que deveria começar às 8), pus o despertador para as 5h30. Assim que ele tocou, ativei a soneca. Duas vezes. Fui levantar quase às 6, e, lerdo, passei quase uma hora no banho. Desci correndo para a parada de ônibus, mas minha condução só passou depois das 7h30. Já conseguia me imaginar implorando para a organização do curso que me deixassem entrar e assistir, que o atraso tinha sido bem pequeno. Podia imaginar também as duas semanas de férias, caso os apelos não fossem atendidos.
(Confesso que uma parte de mim sentiria remorso e ficaria me compelindo a voltar à faculdade e ao estágio – o que seria, aliás, o moralmente recomendável –, mas iria mesmo era tirar férias).
Uma parada à frente, entrou no mesmo ônibus que eu uma menina, bem bonita, até, vestida num terninho e visivelmente desesperada para chegar à LBV – já eram quase 7h40. Em pouco mais de cinco minutos, o ônibus percorreu o que restava da L2 Norte, passou pelo Setor de Autarquias Sul, Setor Bancário Sul, rodoviária, Conjunto Nacional, Conic, Setor Comercial Sul, e chegou ao Pátio Brasil. Para quem não conhece Brasília: um percurso razoavelmente grande, mas ainda faltava percorrer toda a W3 Sul.
A menina estava desesperada e pediu para descer, que ela iria pegar um táxi. Não sei o que me deu, mas, assim que ela falou isso ao motorista, expliquei que também estava indo à LBV, e perguntei se ela se importava em dividir o táxi. Só depois que parei para pensar no assunto: ela nunca tinha me visto na vida. Eu era um completo estranho. Poderia ter tido como resposta um olhar de nojo, uma bolsada na cara, talvez até spray de pimenta nos olhos – numa cena até meio clichê de cinema americano. Em vez disso, ela aceitou imediatamente, e só lembrou de perguntar meu nome já dentro do carro. Eu poderia tranqüilamente ter chegado até nosso destino sem essa informação. E ainda fiquei devendo um real a ela.












