Archive for the 'arte' Category

Discurso para as eras

Trecho do filme O Egípcio (The Egypcian, EUA, 1954). Abaixo, transcrição/tradução dos diálogos, começando um pouco mais cedo que o ponto em que começa o filme, e termina um pouco depois.

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Carnivàle

Personagens da 1ª temporada de CarnivàleDomingo passado, terminei de assistir as duas temporadas de Carnivàle, seriado fantástico torpemente cancelado pela HBO devido à queda na audiência, que não compensava o elevado custo de produção. Ambientada nos Estados Unidos da década de 1930, em plena Grande Depressão (época a que o autor da série se refere como a última grande era da magia), Carnivàle é uma batalha épica entre o Bem e o Mal.

Em 1934, o jovem de 18 anos chamado Ben Hawkins (Nick Stahl) vê sua mãe falecer, enquanto sua pequena propriedade rural, em Milfay, Oklahoma, é tomada por um banco, e acaba sendo acolhido por um circo. Enquanto isso, em Mintern, Califórnia, um pastor metodista, o Irmão Justin Crowe (Clancy Brown), esforça-se por estabelecer um local de culto para os imigrantes que chegavam de vários Estados, fugindo do dust bowl e da recessão econômica. Ambos passam a compartilhar sonhos e visões surreais que os colocam em busca do mesmo homem, Henry Scudder, e descobrem ser portadores de dons fantásticos. E há ainda a jovem cartomante Sofie (Clea DuVall), em busca de um lugar onde se sinta em casa…

A série tem toda uma complexa mitologia, infelizmente ainda não totalmente explicada, devido ao cancelamento prematuro. (Previstas inicialmente seis temporadas, apenas duas foram produzidas). A produção, como era de se esperar de uma série da HBO, é impecável. As atuações são das boas, a história é excelente, a estética é fascinante, e a trilha sonora composta por Jeff Beal é formidável, feita como se fosse para cinema. Saca só:

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Sabe aquele ditado…

…que diz que uma imagem vale mais que mil palavras?

Tô me sentindo assim, ó:

Imagem: On the top of the world? por Giampaolo Macorig

Sessão de cinema

Kino

Na escassez de coisas que postar, nada como recorrer ao YouTube e procurar vídeos que postar. Mas, para não ficar assim tão descarado, faço isso ao redor de um tema sobre o qual andava querendo escrever há algum tempo, mas sempre desanimava no final: cinema. Algumas cenas escolhidas de filmes clássicos, com comentários. Aviso: possíveis spoilers adiante!

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Música das esferas

Wolfgang Amadeus nutria interesse por fenômenos “sobrenaturais” e frequentava grupos do racionalismo iluminista, liderados por Franz Anton Mesmer, médico vienense e membro da Ordem Rosacruz. Mesmer formulou a teoria do magnetismo animal e praticava curas através do “fluido” universal (mesmerismo). Amadeus aprendeu com Mesmer a existência de um “sentido interior” no homem além das sensações e da razão. O médico Rosacruz e o jovem compositor foram amigos íntimos. Desenvolveram juntos um instrumento musical, a “harmônica de vidro” ou “glass-harmonika” (sic), a partir de um projeto de Benjamin Franklin, que também era Rosacruz. Segundo alguns ocultistas da época, esse instrumento “arrebatava” o corpo psíquico dos ouvintes. Por isso o instrumento caiu em desuso. Todavia, Mozart compôs para ele o “Adagio para Harmonika, k.356 e o “Adagio e Rondo para Harmonika, Flauta, Oboé, Viola e Violoncelo, k.617.

(José Maurício Guimarães, FRC)

More Interesting Street Music

O trecho acima pode até conter algumas impropriedas, mas muito me interessei pelo instrumento em questão. Nunca tinha nem ouvido falar na tal harmônica de vidro, ou ainda hidrocristalofone, ou hidrodactilopsiquicarmônica, ou, simplesmente, armonica (assim mesmo, sem H nem acento). Ela é constituída por um conjunto de taças de vidro semi-esféricas, de vários tamanhos, parcialmente inseridas uma dentro da outra por ordem de tamanho, de modo a fazer uma escala diatônica. Essas taças estão montadas num eixo que atravessa o centro dessas mesmas taças, e encontram-se semi-imersas num recipiente com água. Um sistema de pedal aciona o eixo, de modo a que as taças girem ao redor deste. O instrumento é tocado friccionando os dedos em cada uma das taças humedecidas, uma para cada nota.

Conta-se que o grande Ben Franklin, após ver o músico Edmund Delaval tocar um arranjo de copos em Cambridge, Inglaterra, em 1758, ficou maravilhado com o som produzido e decidiu fazer um novo instrumento, baseado no mesmo princípio. Parecia uma máquina de costura, que fazia rodar diversos círculos de vidro, de diversos diâmetros, produzindo o mesmo efeito dos copos: era a armonica. Há registro de que, depois de construir o primeiro modelo do seu instrumento, Franklin começou a testar suas harmonias tarde da noite, enquanto sua mulher dormia. Na manhã seguinte, ela teria vindo dizer-lhe que tivera tido um sonho e ouvira “a música dos anjos”. Mais tarde, William Zeitler adicionou ao instrumento a água, de modo a alterar a altura das notas. Nos anos que se seguiram, foi criada toda uma série de instrumentos de vidro, todos baseados no mesmo princípio: o melodion, o clavicilindro, a espirafina, a harpa de vidro, o uranion, e muitos outros. A maioria das peças compostas para eles se perdeu junto com os próprios instrumentos. Consta que a própria Maria Antonieta aprendeu a tocar a armonica.

5*

Não é uma imagem muito musical, mas vá lá. Não achei nenhuma que me agradasse.

A popularidade do instrumento, contudo, não sobreviveu ao século XVIII. Ocultistas afirmavam que ela arrebatava o corpo psíquico dos músico e dos ouvintes. Alguns supersticiosos diziam que o instrumento levava à loucura. Versões mais modernas diziam que a armonica envenava os músicos por ser feita de cristal de chumbo. O mais provável, contudo, é que ela tenha quase desaparecido simplesmente devido a mudanças no gosto musical das pessoas. Atualmente, contudo, alguns músicos procuram reavivá-la, como o francês Thomas Bloch.

Para terminar, claro, um pouco de música, tocada na harmônica de vidro! A canção é The Fixed Stars, the Frontier to the Beyond, do álbum Music of the Spheres, do músico americano William Zeitler, e é distribuída sob uma licença Creative Commons. Sente-se ou deite numa posição confortável, feche os olhos e ouça:

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Fontes: Revista O Rosacruz, Outono/2009
http://pt.wikipedia.org/wiki/Harmónica_de_vidro
http://en.wikipedia.org/wiki/Glass_harmonica
http://www.jrwp.com.br/musica/leartigo.asp?ID=69

Imagens: More Interesting Street Music, por Craig (adventures_in_craig), e 5* por Jérôme Plano (mypixelisrich)

Around the Well

Em clima de #musicmonday: Minha banda preferida é uma banda de um homem só, e eu tenho um verdadeiro caso de amor à segunda vista com ela.

Um belo dia, um amigo me falou dessa tal banda, completamente underground, chamada Iron and Wine (ou Iron & Wine, sei lá. Nem a própria banda parece se decidir a respeito), e me indicou uma meia dúzia de músicas para ouvir. Baixei-as, ouvi-as, achei legaizinhas, e só. Nada demais. Ficaram perdidas na minha pasta de músicas, até que, um belo dia, o Winamp (naquele tempo, eu ainda usava Windows), que eu sempre usava no modo shuffle, resolveu tocar uma dessas músicas. Foi o que bastou: como disse no parágrafo acima, amor à segunda vista. Logo fui atrás de outros álbuns, baixei a discografia, e tudo o mais. Virei fã, mesmo.  O barbudo Sam Beam, único integrante da banda, era professor de cinema antes de virar músico. Ele é o cara.

Acho interessante notar que, mesmo já tendo falado de I&W para praticamente todo o mundo, muito pouca gente deu alguma bola. Fora o amigo que me indicou a banda e eu, só conheço mais duas pessoas que gostaram de verdade – e, ainda assim, suspeito que não com a mesma intensidade que eu. Mais interessante ainda é ver que músicas do tio Beam têm sido usadas até com uma certa freqüência por Hollywood (primeiro só em filmes mais indies, até chegar ao ponto de Flightless Bird American Mouth, do álbum The Sheperd’s Dog, ser usada no final de Twilight), mas, ainda assim, ele não vira pop. Melhor assim: dá um gostinho de exclusividade, de ter um tesouro guardado só para mim e para alguns poucos amigos, assim como a bela vista que é o mundo a nossos pés é reservada aos pássaros, às estrelas e aos limpadores de chaminés.

Mas o que eu queria mesmo (além de fazer apologia da minha banda preferida, claro) era dizer que hoje ouvi, finalmente, o novo álbum do barbudo Beam, Around the Well, coleção de faixas “raras” (é difícil chamar de raro algo que pode tranqüilamente ser achado na internet, convenhamos…), envolvendo tanto  covers quanto trabalhos originais. O álbum foi lançado dia 19 passado, mas já tinha vazado no final de abril, e só hoje que fui procurar por ele. É até de se perguntar que raio de fã sou eu… Mas não, não vou escrever uma resenha do álbum, nem dar o link para baixá-lo – o orkut já existe para isso. Deixo apenas o vídeo abaixo, com uma das músicas do álbum – cover do New Order – para livre apreciação do(a) visitante destas paragens:

Por cortesia, ficam também links para a versão original e para a letra da música. Recomendo que repare bem nela… Quem for mais emotivo é capaz até de chorar.

A flor máis grande do mundo

Devidamente kibado da Thahy: animação inspirada num conto do Saramago.

Boa semana a todos :)