Quase que exatamente dois anos atrás, tinha escrito algo sobre Harry Potter, após terminar de ler o último livro da saga (Harry Potter e as Relíquias da Morte). Hoje aproveito-o aqui, com modificações, após ter visto o sexto filme (Harry Potter e o Enigma do Príncipe). Para falar a verdade, nunca gostei muito de nenhum dos filmes feitos sobre ele, mas este último foi o melhorzinho de todos, até porque, depois de tanto tempo, os atores mais jovens tinham que aprender a atuar… Ainda não chegam aos pés do elenco adulto, claro, mas não são mais tão ruins. O filme pareceu mais natural e bem menos infantil, conseguindo mesmo provocar risadas e dar alguns sustos. A única coisa sobre a qual não tenho nada que reclamar (e isso desde o primeiro dos filmes) é a trilha sonhora. Pudera, o tema principal é do John Williams.
Quanto aos livros, podem ser mal escritos pra caramba (a linguagem da tia Jo, de fato, não é das mais ricas), podem não ser a melhor literatura existente, podem até ser considerado por muita gente como coisa de criança, mas e daí? É um divertimento que me acompanha desde a sétima série (mais precisamente, desde o dia 15 de outubro de 2000), e foi triste ter que me despedir dele, já que não haverá mais livros da série. Mas este post não é uma crítica nem de cinema nem de literatura, e sim sobre minha relação com a saga.
Li o primeiro livro da série assim por acaso. (Mas isso de acaso não existe, não é mesmo? ;-)) O dia do professor naquele – hoje longínquo – ano 2000 caía em um domingo, e o sindicato dos professores do Piauí tinha entrado em acordo com as escolas para que a data fosse celebrada na quarta-feira anterior, dia 11, véspera do feriado de Nossa Senhora Aparecida – que também é o dia das crianças. Assim, com aqueles dois dias seguidos completamente livres, tendo pouco depois um fim de semana, decidi enforcar a sexta-feira, dia 13, e ir passar uns dias em Fortaleza, com meu pai e meus irmãos que moram lá.
Entretanto, meu avô tinha ficado internado um hospital em Teresina, com um enfisema pulmonar gravíssimo (há algo interessante nesse ponto que merece ser contado, mas vai ficar pra outra vez, já que não cabe dentro deste post), e infelizmente veio a falecer no dia 15. Estava planejado que eu voltaria naquele mesmo dia à noite, de ônibus, mas minha mãe me comprou uma passagem de avião pra que pudesse chegar em casa mais cedo, a tempo do velório, já que de avião a distância entre as duas cidades é coberta em míseros 55 minutos.
Tudo pronto, cheguei ao aeroporto de Fortaleza, esperando embarcar logo, mas o avião acabou atrasando – um atraso de quase quatro horas, bem antes dos desastres da Gol e da TAM (aliás, bem antes até de surgir a Gol), bem antes da tal crise aérea, bem antes de a Marta Supliciy sequer sonhar em mandar todos os turistas brasileiros relaxarem e gozarem. Nem passou pela minha cabeça ligar pra meu pai, pedir pra ele me pegar no aeroporto e depois deixar lá outra vez, pra aí sim voltar a Teresina. Como a notícia da morte do meu avô tinha sido tão repentina e eu ainda não tinha chegado ao velório dele, eu não me sentia abalado com nada daquilo, e procurei algo com que me distrair. Vi que uma livraria, a LaSelva, estava aberta, entrei lá e comecei a olhar os livros. No alto de uma prateleira, havia dois livros sobre os quais eu já tinha visto qualquer coisa na Veja: Harry Potter e a Pedra Filosofal e Harry Potter e a Câmara Secreta.
(Sei que dizer li na Veja não é nenhum sinônimo de estar bem informado, que a revista é tendenciosa e manipuladora, e blá blá blá. Pouco me importa. Minha mãe assinava a Veja, foi por meio dessa revista que fiquei sabendo da série, e não há mais muita coisa que possa fazer a esse respeito).
Peguei os dois volumes, dei uma olhada rápida, e resolvi dar uma chance ao tal fenômeno mundial. Como não sabia que havia uma seqüência entre eles, comprei o que tinha a capa mais bonita – A Pedra Filosofal, por sorte, também o primeiro da série – e comecei a ler ali mesmo, no saguão do aeroporto. Quando vi, estava lendo tão rápido, com tanto gosto pela coisa, que o tempo tinha passado e já estava na hora de embarcar. Continuei lendo dentro do avião quase vazio da VASP (ainda existia VASP), e só quando cheguei a Teresina larguei o livro, mais ou menos pela metade.
Meu avô já tinha sido velado e enterrado – foi tudo muito, muito rápido – então fui logo pra casa, desfiz a bagagem, jantei e pouco depois fui dormir, cansado que estava. No dia seguinte (segunda-feira, dia 16), eu teria aula normal, mas justo naquele ano tinha passado a estudar à tarde. Acordei cedo, peguei de novo o tal livro, voltei a ler e por volta de 10 e meia ou 11 horas já tinha acabado. Fantástico. Já estava completamente viciado.
Um mês depois, dia 4 de novembro – véspera do meu aniversário – ganhei de presente o segundo livro, Harry Potter e a Câmara Secreta. Assim que desembrulhei o livro (até hoje, o único que minha tia me deu sem ter escrito nele uma dedicatória) comecei a ler, e foi meio a contragosto que a acompanhei até o centro espírita de Teresina, em retribuição ao presente tão ansiado que ganhei adiantado. Como eu nunca gostei de virar noite em claro, no dia seguinte retomei e concluí a leitura.
O terceiro livro, Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban, foi publicado no Brasil em dezembro daquele mesmo ano. Ganhei de presente de Natal da minha mãe. Na véspera de Natal, dia 24, fomos obrigados a ir a uma confraternização incrivelmente chata que juntava vários ramos da família – aqueles parentes chatos com quem você não tem assunto algum e só vê nessas ocasiões. Era uma espécie de tradição da qual sempre costumávamos escapar, mas naquele ano não. Sendo convidados (quase coagidos a ir) a ela em agosto, fica meio difícil inventar uma boa desculpa. Enquanto na tal confraternização, que se realizava na casa de uma velha tia-avó, fiquei o tempo todo de cara amarrada, sentado no meio dos adultos, com o único copo de refrigerante da mesa. Eram umas 10 horas quando um tio se ofereceu pra me levar embora dali, que era o que eu mais queria naquele momento.
Minha mãe me falou, antes de eu ir embora com meu tio, onde estava guardado meu presente, e assim que cheguei em casa (meu tio voltou depois pra tal confraternização) fui atrás dele, rasguei o embrulho e vi emocionado a capa do livro. Só depois pude trocar de roupa, ir à cozinha preparar um lanche (lembro até o que era: nuggets de frango, ou, assumindo certa infantilidade, Mini Chicken Turma da Mônica) e ligar a tevê pra ver que a Globo exibia aquele filme, Anastasia (sempre gostei de ter alguma espécie de som por perto quando leio ou estudo alguma coisa, por isso a tevê ligada. Hoje isso já mudou bastante). Tudo pronto, comecei a ler o livro, ofício ao qual me dediquei até pouco depois de meia noite, quando minha mãe chegou em casa e fui dormir.
No dia seguinte, no final da tarde, já tinha acabado a leitura.
O quarto livro, infelizmente, demorou um pouco mais a ser lançado: só saiu em junho do ano seguinte, logo antes de se iniciar a temporada de provas na minha escola. Minha mãe comprou Harry Potter e o Cálice de Fogo assim que foi lançado, mas guardou-o no porta-malas do carro e eu só recebi no último dia de aula, por volta de quatro horas da tarde – logo depois de ter feito a última prova do semestre. Como o quarto livro era, até lá, o maior de todos, só acabei de ler no dia seguinte, já à noite, sendo que nesse meio tempo ainda tiver que largar a leitura por causa de uma aula de inglês a que não tive autorização para faltar.
Por um bom tempo depois de O Cálice de Fogo, meu gosto por Harry Potter acabou ficando resfriado, já que o livro seguinte, Harry Potter and the Order of the Phoenix, só saiu em 2003, quando eu já estava no 2º ano do Ensino Médio. E só meses depois foi lançada a tradução brasileira, Harry Potter e a Ordem da Fênix. Um amigo me arranjou o ebook do livro em inglês, e comecei a ler imediatamente. Como a leitura no computador é mais cansativa e como eu estava em período de aulas, demorei longos quatro dias até conseguir concluí-la. A sensação ao final do livro foi de estranhamento. Os rumos da história estavam mudando, e Harry não era mais aquela pobre criança tentando se encaixar em algum lugar que se via nos quatro livros anteriores. Só depois, lendo a tradução brasileira, é que me toquei que, em algum momento, o protagonista – bem como toda a série – precisava amadurecer, e aquele quinto livro, com um Harry revoltado e questionador, era o começo desse amadurecimento.
Depois de A Ordem da Fênix, meu interesse pela série voltou a minguar, mas não desapareceu. Ficou latente até sair, em 2005, quando eu já estava na faculdade, cursando o segundo semestre de Direito, o sexto livro, Harry Potter and the Half-Blood Prince. Meu colega de apartamento comprou o livro em inglês, e eu esperei até ele acabar de ler pra pegar emprestado. Foi, de longe, o livro que gostei menos. Foi também o que demorei mais pra ler; não lembro nem quanto tempo levei. Achei diversas passagens extremamente forçadas. Acreditando que fosse ser como foi com o quinto, comprei depois a tradução brasileira, Harry Potter e Enigma do Príncipe, abandonei a leitura ainda no começo e acabei chegando à conclusão de que não gostava mais de Harry Potter.
Então, mais ou menos dois anos atrás, foi lançado o sétimo e último livro, Harry Potter and the Deathly Hallows. Decidido a ler mais por obrigação de terminar o que tinha terminado seis anos atrás do que por vontade de saber como acabava tudo (não entendam mal, por favor: ela também foi um fator de peso), baixei o ebook logo depois de ter chegado a Brasília, após uma viagem de férias. Sem expectativa alguma em relação ao livro, acreditando que tia Jo ia acabar de um jeito muito merda a série que anos antes tinha me prendido tanto tanto a atenção e ajudado a distrair meus pensamentos da morte inesperada do meu avô, depois me transformando até mesmo em fã, comecei a ler. E, para minha própria surpresa, fiquei completamente absorvido, novamente encantado, apesar da linguagem um tanto pobre da autora, apesar dos clichês que abundaram em algumas passagens, apesar da irritante leitura na frente do computador e dos diversos erros de digitação do ebook. De repente, voltei até mesmo a achar Harry Potter uma série fantástica, e decidi dar outra chance ao sexto livro (embora nunca o tenha relido). Vendo o filme, vem novamente a vontade de reler o livro, mas já não o tenho aqui por perto.
E, durante todos esse anos – especialmente entre o quarto e o quinto volumes – ainda teve os fóruns que freqüentei, os sites de notícias, as fanfics… Sim, eu lia e escrevia fanfics de Harry Potter (nunca terminei nenhuma, no entanto). E não, não me orgulho disso, nem tampouco me envergonho: apenas acho divertido o fato de ter dedicado tanto tempo a algo do gênero. Para terminar, uma citação. Severo Snape, em A Ordem da Fênix, capítulo 24:
Tolos que tem orgulho em mostrar seus sentimentos, que não sabem controlar suas emoções, que chafurdam em lembranças tristes e se deixam provocar com tanta facilidade – em outras palavras – gente fraca.
E ainda tem quem diga que isso é literatura para crianças…










Quando eu comecei a ler HP, já estava no Ensino Mérdio, 4 livros já tinham sido lançados e o ‘mundo mágico’ esperava o quinto. Lembro que meus amigos me encheram tanto que acabei aceitando a sugestão deles, e iria ler o livro infantil. Foram os 4 livros [os 2 primeiros como e-books e os outros em mãos] mais rápidos que já li. Não duraram uma semana. Aquilo viciava bastante.
Em A Ordem Da Fênix, eu imprimi o livro inteiro para ler, quando uma versão ‘traduzida online definitiva’ saiu. E ainda tenho a impressão lá em casa. O Capítulo 24 é só o MELHOR capítulo desse livro. É o livro que mais gostei, analisando que o li 3 vezes e meia [odeio reler livros].
Os 2 últimos, lia quando saia aquela versão traduzida porcamente… e infelizmente não as li de verdade.
Sobre a autora, eu deveria ter contado o número de vezes que “A cicatriz de Harry ardia como nunca tinha ardido antes”. Isso enjoava =p
E Severo Snape É o cara.
PS pra spoiler:
O pessoal do Ato ou Efeito leu minha mente [http://atoouefeito.com.br/top-10-guerrasconflitos-inuteis.html]:
Não foi exatamente isso, já que foi o amor e uma varinha perfeita, mas belê.
Valney escreveu recentemente: Curso de Astrofísica
Acho que o capítulo 21 da Ordem da Fênix que todos vocês leram fui eu que traduzi
Bagre, eu não li Ordem da Fênix em traduções de fãs…
Li primeiro em inglês, e depois a tradução “oficial”. Então, sorry, mas não li sua tradução
harry podre é legalzinho, o que da peso a ele é fazer com que crianças leiam paginas e paginas.
mas os filmes são sofriveis. detesto filmes de livros pq cortam picam e estraçalham toda a historia.
Duende escreveu recentemente: Diretrizes para avaliação de cultos
gosto de todos :
amo harry